domingo, 1 de novembro de 2015

História do Imigrante Josef Zipperer 1875, o Boêmio da Áustria - São Bento - Brasil.


Tópicos de algumas ocorrências de São Bento no 2º ano de existência em 1875

São Bento no Passado – Reminiscências da Época da Fundação e Povoação do Município – Conforme diários reunidos por Josef Zipperer Sem. Em 1954 Jorge Zipperer publica o livro com Prefácio da 3ª edição em alemão datado em 1935. E do prefácio da 1ª edição em português datado em 1951 por Martim Zipperer.

- Em 1875 chegaram mais imigrantes como os Fendrich, Schadeck, Tschöke, Knittel e outros.

- As primeiras mercadorias, mantimentos eram buscados de Joinville, mas os moradores vizinhos de Avencal também vendiam os produtos ou trocavam. Sendo os brasileiros de nomes longos. Também compravam porcos, patos e galinhas, transportados em cestos de bambu sobre o lombo das mulas.

- Entre São Bento e “Campo Alegre” continuavam a construção e estradas vicinais, mas os valores ganhos pelo serviço sempre chegavam com atraso de 2 a 3 meses.

- Após a colheita do centeio em 1875 iniciaram os moinhos manuais. Mas também assim se adaptaram ao fubá de milho, que não conheciam.

- Os primeiros pães formam produzidos nos primitivos fornos, e depois de abençoados, foram cortados. Foi naquele momento a maior fartura que seu trabalho poderia ter proporcionado.


- São Bento não apresentava problemas em relação ao índios, mas numa picada coordenada pelo Eng Alberto Kröhne, rumo a Lençol, rumo sul, formado as divisas da Cia Colonizadora, foram encontrados 16 abrigos de índios ainda com brasas quentes, arcos e pontas de flecha. Oque mais chamou a atenção foi um trançado de taquara em forma de balde, revestido com cera de abelha.

- A construção temporária dos índios. Escolhiam 4 pequenas árvores, desgalhavam e puxavam suas copas, unindo mais fortemente com taquara e cobriam de vegetação, como a Papanduva.

- Os índios nunca causaram danos aos imigrantes, exceto em Itainópolis onde vários imigrantes se mudaram. Famílias inteiras forma massacradas.

- João Mühlbauer morava na estrada Rio Negro, seu filho com aproximadamente dois anos era levado junto para a roça. Acredita-se que a criança dormiu, saiu andando, até ser encontrada pelos tropeiros. Após muito tempo em Lençol no comércio do Francisco Kamiensky que comercializava erva-mate com os tropeiros, observou que existia um menino madrinheiro da tropa. Indagando sobre o menino foi confirmado que a cerca de 12 anos este teria sido encontrado abandonado. O menino retornou ao lar de seus pais, mas sem entenderam uma só palavra, pois este falava a língua portuguesa.

- Na Áustria sempre comemoravam, com música e canto, o terceiro domingo do mês de outubro, que celebravam a colheita, e festejam como ação de graças. No Brasil em 1874 também festejaram a mesma data, embora era primavera e início do plantio. Sem ter um galpão utilizaram uma parte alta da casa do vizinho Bail, com o céu estrelado, com fogueiras e dois tocadores de gaita de boca, cantavam e dançavam, e bebiam o “Grog” uma bebida feita de cachaça/água/açúcar e ovos que ferviam em um tacho.

- No ano seguinte começaram a construir as casas de madeira “Blockhaus” e também o salão de baile.

- O antigo terreiro da festa ficou para bater o centeio.

- Existiam poucas mulheres, e com os brasileiros tinham pouco relacionamento devido a distância e principalmente pela dificuldade de comunicação devido a língua ser diferente. E os solteiros iam até o porto de São Francisco ver se conseguiam uma esposa, em caso positivo passavam por Joinville para encontrar o padre, e subiam a serra já casados.

- Francisco Rohrbacher imigrante de 1875, por intermédio da Cia Colonizadora, retornou para a Boêmia para trazer mais imigrantes, e assim foi feito com ocupações na Estrada Rio Negro, Lençol e Estrada Dona Francisca, em troca recebeu um lote na Estrada dos Banhados e um determinado valor em dinheiro por cada imigrante.

- As terras da Cia. Colonizadora apresentavam falhas de medições e surgiram problemas como as terras confrontantes com Maneco Franco. Um agrimensor de nome Ochs, (Ox) acampou na margem do rio São Bento com a Estrada Dona Francisca, tendo alguns ranchos, para medir os terrenos com problemas de divisas. Depois levantou acampamento e foi embora. Assim surgiu no município a localidade de Oxford, pois após a retirada do agrimensor os moradores falavam “ Der Ox ist fort”, com definição de onde ficavam os ranchos, e ficou como referência “O Ox foi embora”. E assim ficou denominado o local como Oxford, sem ter nenhuma relação com a universidade.

- No ano de 1875 os ranchos do “Ox” foram desmontados e levados por 4 quilômetros para o centro, e serviram de construção da escola, tendo como professor Frederico Fendrich. Na parte da manhã lecionava para 30 crianças e a tarde exercia a profissão de sapateiro. Recebia o salário por criança da Cia. Colonizadora.

- Frederico Fendrich nasceu em Viena, em São Bento ensina em alemão, mas tinha um sotaque diferente, de origem checa. E as dificuldades de comunicação se entendiam entre os próprios alunos seja de origem alemã, austríaca, polonesa, dinamarquesa. Até mesmo os austríacos não entendiam totalmente os pomeranos, mesmo ambos falarem alemão.

FOTOS HISTÓRICAS DE SÃO BENTO DO SUL - SÃO BENTO NO PASSADO