sábado, 5 de novembro de 2016

Passau nas lembranças do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss

Diário de Viagem do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE
(Parte 4)


Texto e imagens de Roberto Luiz Scharf


 Nossa passagem por Passau 22/05/1988.
Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE Passau 22/05/1988

Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE. Passau 22/05/1988

Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE. Passau 22/05/1988



Segunda feira 23 de maio de 1988 - Antes de seguirmos viagem para Passau ainda em München fomos na casa dos Sudetos onde passamos a manhã e fomos convidados para o almoço. A cada acrescentamos em nossa cultura um pouco da história desse povo. A casa dos Sudetos em München foi construida pelo propio povo na tentativa de resgatar a história, seus costumes, suas tradições e seu desejo de reconquistar suas terras e suas vidas.O amor pelas suas terras é algo forte entre eles digno de admiração. München – Passau – estávamos todos co sono, mas sem coragem de fechar os olhos. A paisagem por essa estrada é simplesmente fantástica. Não dá para descrever. As maquinas fotográficas estão sempre largamente utilizadas na tentativa de captar a beleza do que vemos, mais é imposivel. Para ajudar no clima festivo, a música. Foram palavras bonitas escritas durante a viagem que foi realmente como sonhamos que Alemanha é. Passau tambem é uma cidade encantadora embora apenas tenhamos passado por ela nesse dia nós nos dirigimos a Lackenhäuser onde dormimos. No caminho paramos em Waldkirchen e só então fomos para casa ¨Haus der Böhmerwalder¨. Maravilhosa que em cada coração a melhor lembrança ... oportunidade de fazer um passeio pelos campos e matas como crianças que todos ainda somos, corremos e brincamos. Como adultos responsáveis que deveríamos ser, voltamos para casa para lavar nossos trajes. O resto da noite foi livre e todos aproveitaram para ir dormir.





Os dois grupos, aqui citados, realizaram uma viagem com apresentações com um itinerário que iniciou no dia 16/05/1988 estendendo até 16/06 do mesmo ano. Estes fizeram apresentações da cultura alemã, da origem de nossos imigrantes e ainda contemplavam em suas apresentações as expressões culturais brasileiras. E assim passaram por várias cidades, vilas regiões da Alemanha, Áustria, Suíça e Boêmia (ex Checoslováquia – atual República Tcheca), destacando: Heidelberg – München – Passau – Linz/Donau – Wien – Bömerwald – Hohenberg – Bad Kissingen – Pfatzgrafeweiler – Frieddrichshafen/Bodensee – Essilingen – Nürtingen – Stuttgart – Witten, representando São Bento do Sul, Santa Catarina e o Brasil.

DEUTSCHL ANDREISENDE, TEILNEHMER DER GRUPPEN...
Viajantes para a Alemanha, membros do grupo...
CORAL MUSICAL EDELWEISS
Walter Malewschik; Monica Malewschik; Igor Rudnick; Roy Rudnick; Giancarlo Vitali; Henry Grosskopf; Taciana Malewschik; Natascha Rudnick; Leila Tascheck; Adriane Malewachik; Karin Lizane Eichstädl; Luciana Schreiner; Karin Grankow; Raquel Kenubuehler; Evelise Marquardt; Lilian Grosskopf; Dúnia nalu Kobs; Monica Evelin Pfeiffer; Cristiane Karin Pfeiffer; Calusse Cidréa Dias; Eliane do Rocio Grein; Joseane Grossl; Josane Soares da Silva; Poliane Mafra; Liane Malewschik Mafra; Leones Malewschik Rudnick.

GRUPO FOLCLÓRICO GERMÂNICO BÖHMERWALD
Roberto Luiz Scharf; Rose Marie Stiegler Scharf; Nilo Nelson Schloegel; Suzanne Mayer; Ademir Weiss; Cleide Regina Gschwendtner; Maurício Fernandes Trevisan; Claudia Maria Zipperer; Venísius de Lacerda Fendrich; Mérida Juneli Tascheck; Carlos José Fedalto; Viviane Raquel Brand; Adelino Schneider; Nádia Wisnheski; Deniz Assis de Carvalho; Doroti Maria Fendrich; Luís Francisco Kamienski; Márcia Regina Kamienski; Carlos Alberto Kamienski; Dilmar Tascheck; Charles Tascheck; Rogério Tascheck; Rubens Buchinger; Nelson Huber; Marcos Malewschik.


Texto e imagens de Roberto Luiz Scharf

Suddentandeutsche com Grupo Bömerwald e Coral Edelweiss de São Bento do Sul

Diário de Viagem do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE
(PARTE 3)


Texto e imagens de Roberto Luiz Scharf

Sábado – 21 de maio de 1988 – Alvorada 7:00 h. às 8:00h. já estamos todos de traje, tomando o café da manhã, nos preparando p/ Suddentandeutsche Tag (a festa dos Sudetos que afinal nos levou para a Alemanha ). Assistimos a abertura que aconteceu no Messerplaz (um local com inúmeros pavilhões e um grande auditório, próprio para festas ou eventos dessa grandeza) e depois oficialmente iniciado o Dia dos Sudetos, participamos de um desfile no próprio local, juntamente com grupos de diversos lugares da Europa e de outros continentes. Final do desfile, um discurso: discursinho: foi apenas cinco horas de palavras e orações que faziam os alemães e o público vibrar e chorar e simplesmente não se mover na tentativa de ir embora. Para nós brasileiros, sentimentos que iam desde a impaciência até a surpresa. E fome !! (Para variar a hora do almoço já tinha passado) e depois ter terminado UFA! Os discursos fomos comer pela primeira vez num Wienerwald. Depois passeamos pela cidade a pé e com o ônibus até ao local da primeira apresentação em München (Nockerberg) fizemos apenas apresentação do folclore alemão e depois participamos de um baile juntamente com o grupo de Heidelberg que mais uma vez juntou-se a nós. O baile terminou por volta de meia noite o que nos levou a ir para casa e ...... cama.


Domingo – 22 de maio de 1988 – Nova alvorada, com trajes e tudo para mais um dia na Festa dos Sudetos. (Designa-se pela expressão sudetos alemães ou simplesmente sudetos as populações germanófonas que habitavam a Boêmia e a Morávia (respectivamente, Čechy e Morava, em checo), perfazendo algo em torno de 3,2 milhões de indivíduos, os quais representavam, no início do século XX, aproximadamente 36 % da população total da Boêmia. Já antes da formação da Checoslováquia, os sudetos invocavam o direito à auto-determinação, pleiteando a sua reunião aos demais povos germânicos da Áustria e da Alemanha sob um só Estado. Essa aspiração levou à formação do "Partido Alemão dos Sudetos", em 1933.) Desta vez nos apresentamos no auditório do Messegelände com grupos de outros lugares. A penas duas músicas (danças) por grupo, mas mesmo assim passamos a manhã nesse auditório. A bandinha deu um show e fez sucesso entre as pessoas presentes na festa, o que não é de admirar. Eles são bons nisso! Almoçamos no próprio ônibus e voltamos para o auditório assistindo o encerramento da 39º Suddetendeutsche Tag. Dali fomos novamente ao centro de München para passear, ver o relógio da Rathaus funcionar, jantar no Wienerwald , recer as honras do Prefeito e / seus representantes e por fim participar da festa do Espirito Santo na Frauenkirche assistindo a uma representação envolvendo a história dos Susetos e fazendo parte de uma procissão de tochas que a princípio pareceu reticulada, mas que depois foi muito bonita e interessante. Terminando a procissão numa praça entre os monumentos históricos onde nos nos despedimos do grupo de Heidelberg cantando uma música que passou a fazer parte de nossa vida pela beleza de sua letra e pela emoção de sua melodia: Kein Schöner land. Foi assim que terminou o dia.



Roberto Luiz Scharf e Rose Marie Stiegler Scharf

Festa dos Sudetos - SUDETENLAND
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Walter Malewschik; Monica Malewschik; Igor Rudnick; Roy Rudnick; Giancarlo Vitali; Henry Grosskopf; Taciana Malewschik; Natascha Rudnick; Leila Tascheck; Adriane Malewachik; Karin Lizane Eichstädl; Luciana Schreiner; Karin Grankow; Raquel Kenubuehler; Evelise Marquardt; Lilian Grosskopf; Dúnia nalu Kobs; Monica Evelin Pfeiffer; Cristiane Karin Pfeiffer; Calusse Cidréa Dias; Eliane do Rocio Grein; Joseane Grossl; Josane Soares da Silva; Poliane Mafra; Liane Malewschik Mafra; Leones Malewschik Rudnick.

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Roberto Luiz Scharf; Rose Marie Stiegler Scharf; Nilo Nelson Schloegel; Suzanne Mayer; Ademir Weiss; Cleide Regina Gschwendtner; Maurício Fernandes Trevisan; Claudia Maria Zipperer; Venísius de Lacerda Fendrich; Mérida Juneli Tascheck; Carlos José Fedalto; Viviane Raquel Brand; Adelino Schneider; Nádia Wisnheski; Deniz Assis de Carvalho; Doroti Maria Fendrich; Luís Francisco Kamienski; Márcia Regina Kamienski; Carlos Alberto Kamienski; Dilmar Tascheck; Charles Tascheck; Rogério Tascheck; Rubens Buchinger; Nelson Huber; Marcos Malewschik.

Os dois grupos, aqui citados, realizaram uma viagem com apresentações com um itinerário que iniciou no dia 16/05/1988 estendendo até 16/06 do mesmo ano. Estes fizeram apresentações da cultura alemã, da origem de nossos imigrantes e ainda contemplavam em suas apresentações as expressões culturais brasileiras. E assim passaram por várias cidades, vilas regiões da Alemanha, Áustria, Suíça e Boêmia (ex Checoslováquia – atual República Tcheca), destacando: Heidelberg – München – Passau – Linz/Donau – Wien – Bömerwald – Hohenberg – Bad Kissingen – Pfatzgrafeweiler – Frieddrichshafen/Bodensee – Essilingen – Nürtingen – Stuttgart – Witten, representando São Bento do Sul, Santa Catarina e o Brasil.


Texto e imagens de Roberto Luiz Scharf

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss em München

Diário de Viagem do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE 
(PARTE 2)

Um pouco de nossa 1ª viagem ao velho mundo. Sexta feira – 20 de maio de 1988 – Dia triste, de despedida. Mesmo tendo sido poucos dias, o relacionamento foi forte e caloroso para todos nós. Partimos rumo a München com certeza que Heidelberg ficaria no coração de todos. Com primeira impressão levamos muito carinho, alegria e a sensação de estar em casa. O dia estava muito frio. Sem sol vento forte e gelado. Saímos às 9:00 h. da manhã (seria às 8:00 h. mas …) . Por volta de 11:00 h. chegamos a Heilbronn (cidade onde mora a Gudrun). Com muito frio e muito e muita roupa fomos passear pelo centro conhecendo igreja e monumentos importantes a caminho da prefeitura, onde mais uma vez fomos recebidos pelo Prefeito, ouvimos a história da cidade, ... lanchamos e rimos: - Mauricio ao receber uma taça de vinho e ser convidado a fazer um brinde, ao invés de responder ao comprimento respondeu com um alegre e festivo: ¨Auf Wiedersehen¨. Mas tudo bem: a língua alemã é muito difícil. Voltamos para o ônibus e continuamos a viagem; detalhe com fome, já passava do meio dia e almoço que é bom: nada. Fomos almoçar somente às 15:00h. em Ichenhausen, na empresa que cedeu o ¨lar¨ do motorista (Probst Reisen) linguiça e pão. Como nem todos gostavam do cardápio, houve quem adorasse o almoço, ouve quem não almoçasse, novamente no ônibus fomos direto a München onde lá chegamos por volta das 20:30 h. no Jugendgästehaus, saímos em busca de comida (janta). Jantamos, passeamos, tomamos banho (obs. Era um chuveiro para mais ou menos vinte pessoas; resultando bilhetinhos para o sorteio de lugar na fila) fomos dormir.

Imagens e texto de Roberto Luiz Scharf. 

CONTINUA....





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Os dois grupos, aqui citados, realizaram uma viagem com apresentações com um itinerário que iniciou no dia 16/05/1988 estendendo até 16/06 do mesmo ano. Estes fizeram apresentações da cultura alemã, da origem de nossos imigrantes e ainda contemplavam em suas apresentações as expressões culturais brasileiras. E assim passaram por várias cidades, vilas regiões da Alemanha, Áustria, Suíça e Boêmia (ex Checoslováquia – atual República Tcheca), destacando: Heidelberg – München – Passau – Linz/Donau – Wien – Bömerwald – Hohenberg – Bad Kissingen – Pfatzgrafeweiler – Frieddrichshafen/Bodensee – Essilingen – Nürtingen – Stuttgart – Witten, representando São Bento do Sul, Santa Catarina e o Brasil.


Imagens e texto de Roberto Luiz Scharf. 


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Diário de Viagem do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE


Diário de Viagem do Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE

A cultura em nossa cidade, é sem dúvida uma das maiores riquezas de nossa sociedade. São expressões que emanam e caracterizam uma identidade em nossa sociedade. São Bento do Sul é privilegiada em diversas manifestações que valorizam a cultura como: trabalhos manuais, música, folclore, teatro, entre outros.
A valorização das pessoas e grupos que preservam nossa cultura é de extrema necessidade, muitos destes dedicam parte de suas vidas, pelo bem de uma arte, sem ganhar recursos extras que não seja a manutenção e condição da própria transmissão cultural.
Alguns destes grupos buscam por uma característica de representação dos primeiros habitantes, ou ainda antes do épico momento da colonização. Nossos imigrantes, em maior número são provindos da Áustria, região da Boêmia (Reichenberg e Böhmerwald) e da própria Alemanha como da região sula, a Baviera, todos de etnia germânica. Tendo ainda outras regiões e representações de países distintos mas de menor representatividade. Mas esta maior concentração de imigrantes provindos das regiões descritas, fez surgir dois grandes grupos em São Bento, o Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald, cujo nome homenageia uma região da Boêmia, e o Coral Musical Edelweiss, que apresenta o nome de uma flor que cresce nos alpes europeus.
Estes dois grupos existem ainda nos dias atuais enriquecendo nossa terra com apresentações. Mas como o blog em muitas vezes apresentou fatos históricos e culturais, estaremos contribuindo com a divulgação destes grupos com a postagem de imagens e textos do diário de viagem escrito por Roberto Luiz Scharf, do Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald datados de 1988.

Grupo Böhmerwald e Coral Edelweiss DEUTSCHL ANDREISENDE

Os dois grupos, aqui citados, realizaram uma viagem com apresentações com um itinerário que iniciou no dia 16/05/1988 estendendo até 16/06 do mesmo ano. Estes fizeram apresentações da cultura alemã, da origem de nossos imigrantes e ainda contemplavam em suas apresentações as expressões culturais brasileiras. E assim passaram por várias cidades, vilas regiões da Alemanha, Áustria, Suíça e Boêmia (ex Checoslováquia – atual República Tcheca), destacando: Heidelberg – München – Passau – Linz/Donau – Wien – Bömerwald – Hohenberg – Bad Kissingen – Pfatzgrafeweiler – Frieddrichshafen/Bodensee – Essilingen – Nürtingen – Stuttgart – Witten, representando São Bento do Sul, Santa Catarina e o Brasil.
O blog mostrará uma sequência de postagens com o diário de viagem,  imagens e texto de Roberto Luiz Scharf. 



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Flor de Edelweiss

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fauna de São Bento do Sul - QUATI


FAMÍLIA PROCYONIDAE
Quati e mão-pelada
São plantígrado com patas pentadáctilas, ou seja, depositam toda a pata ao chão e seu rastro normalmente demonstra de forma evidente os 5 dedos bem definidos, as unhas não são retráteis, sendo bem evidente no caso do mão-pelada. A cauda é longa e possui anéis fechados, sendo muito característico desta família. A cabeça e pequena em proporção ao corpo e as orelhas são arredondadas. As pata

Quati ou Coati
Nasua nasua
Características: a definição de nome é originária do tupi “akwa’ti” e significa “nariz pontudo”, este focinho é longo e a ponta promove movimentações. Seu tamanho da extremidade do focinho até a ponta da cauda apresenta variações ficando no intervalo de 89cm a 1,25m de comprimento e pesa até 10kg. A coloração pode ser diferenciar entre os indivíduos em relação a tonalidade mais escura ou mais clara sendo característico do indivíduo ou da idade. São de pelagem longa e amarelada/cinzenta com partes ventrais mais claras, as patas são negras, e existem colorações mais claras pertos dos olhos com faixas pretas. Os olhos e orelhas são pequenos. A cauda é longa e peluda formadas pela coloração de anéis pretos e amarelados intercalados, terminando em ponta escura. Os machos e fêmeas podem ser diferenciados pelos dentes caninos em relação ao tamanho e formato.
Habitat: prefere áreas de floresta e com grandes árvores que sobem com destreza. Mas também pode ser visto em campos ou até áreas abertas próximo de residências.
Distribuição: ocorre em todo território brasileiro. Na América do Sul também ocorre desde a Venezuela até o Uruguai, mas não ocorre no Chile ou ainda no Equador.
Curiosidades: É considerado de hábitos semi-arborícolas tamanha a frequência que se encontra sob as árvores, onde consegue se deslocar entre as copas, procurando frutos e até aves. Mas em solo deixa suas marcas com evidência das longas garras e por muitas vezes com evidência do calcanhar ou “calcâneo”, o grupo deixa as pegadas com diferentes tamanhos de jovens e adultos. O comprimento de passada é de 44cm e a largura de 11cm. Com seu focinho e garras procura alimentos entre folhas, fendas e rochas se alimentando de larvas e insetos. Seu abrigo são ocos de árvores e a própria copada de árvores. É ativo a noite e dia, mas nas armadilhas fotográficas demostrou frequência durante o dia. É de convívio social de até 18 indivíduos, mas pode viver sozinho, sendo popularmente conhecido como mundéus, ou seja, macho velho que se afasta do bando.  É um animal de fácil adaptação e multiplicação, quando introduzido erroneamente pode se propagar de forma espantosa, principalmente quando não existir um predador que age como controlador de populações. Esta espécie sofre ameaça por se perseguido pelo homem para caça, ou por agricultores que somam prejuízos na plantação de milho, atacada pelo bando. O quati pode ficar manso e conviver de forma harmoniosa com o ser humano, chegando a ser inconveniente e oportunista pela comida que pode ser retirada de dentro de casa ou da mão. A gestação é de 77 dias e podem nascer até 5 filhotes, que ficam com a mãe, isolados do grupo.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ARQUITETURA CARACTERÍSTICA DE 1881 de Francisco Drancka (Dranka).


ARQUITETURA CARACTERÍSTICA DE 1881

Na imagem vemos a casa que pertencia a Francisco Drancka (Dranka) construída antes de 1900, próximo da ponte velha do rio Negro na divisa do PR com SC. A casa pertence atualmente ao Sr. Schier. Mas esta construção com cerca de 135 anos, fez história. A construção levou 8 anos até a sua conclusão. No térreo sobem as paredes espessas, de tijolos, revestidas de “cimento”, sustentando um forro resistente, num intervalo vazio entre vigas faz surgir o assoalho de tábuas largas e grossas, sem nenhum sinal de cupim, e assim inicia o primeiro andar. As paredes são em enxaimel, tendo a estrutura de parede em vigas de madeira preenchidas de tijolo. Mas na imagem vemos estas paredes revestidas por tábuas de pinheiro. A última parte da casa (segundo andar, soton), é de madeira. Esta casa teve várias serventias no passado, sendo moradia, salão de festas, barbearia e até foi utilizada pelo órgão público. Francisco Drancka é precursor de uma família tradicional na região, tendo grande importância para Piên/PR. Francisco é citado no livro PIONEIROS como “compadre” de Virgínio Soares Fragoso, da família dos Fragoso, colonizadores de 1848. E deixamos abaixo como referência a citação...


“Certo dia receberam a visita de Francisco Drancka e sua esposa Francelina. Este casal morava num sobrado em Fragosos do lado do Paraná. Sua bondade tenaz sempre foi de admiração de todos moradores da região.
Virgínio, em especial, zelava grande respeito e admiração ao nobre amigo, e o considera como se fosse seu sobrinho.
Os dois casais estavam tomando chimarrão quando Francisca pediu um favor para o amigo. Ela solicitou a sonhada cama com rodas, para amenizar a angústia do marido.
Conforme esperado, Francisco Drancka, sensibilizado com o problema do amigo se propôs em ajudar.
Passados alguns dias Drancka retorna para a casa de Virgínio para lhe presentear com a tão esperada cama. A cama era toda de metal, tinha molas e rodas, sendo muito apropriada. Não demorou para as crianças testarem a cama puxando até a sala. Todos estavam muito satisfeitos e gratos ao Sr. Drancka, queriam pagar, mas o amigo não queria dinheiro, recebendo então o caloroso desejo da família pelas bênçãos e retribuições de Deus.” (HÜBEL, 2012)
“Virgínio faleceu no dia no dia 17.09.1905 deixando para trás uma trilha de glória, trabalho e história. Uma lição de vida. ” (HÜBEL, 2012)



detalhe do enxaimel  abaixo da parede de madeira




terça-feira, 2 de agosto de 2016

SCHLACHTFEST MÚSICA TEMA – SETEMBRO CHEGOU


SCHLACHTFEST MÚSICA TEMA – SETEMBRO CHEGOU

 

A música tema do Schlachtfest (festa da matança) apresenta uma origem espontânea, tal qual a própria formação cultural de um povo. A letra e música não surgiram por solicitação dos organizadores da festa, ou pela Sociedade Ginástica e Desportiva São Bento, local da festa. Mas emanou ao acaso, do talento musical de Dilmar Tascheck compositor e músico por excelência domina vários instrumentos musicais e já compôs dezenas de músicas, tendo muitas destas gravadas por Bandas típicas alemãs. Dilmar apresenta o dom da música assim como outros familiares, ele é descendente de imigrantes de etnia alemã originários de Fleken – Rothenbaum da Boêmia, então Império da Áustria Hungria, de Jacob Treml (linha materna), pai de João Treml, fundador da Banda Treml. Já pela linha paterna o imigrante é Franz Stascheck, que também apresenta descendentes músicos de grande talento. 

Dilmar Tascheck
Mas Dilmar foi colunista chargista do Jornal Evolução, e teve maior contato e aproximação com Pedro Alberto Skiba, dono do semanário, e assim foi sugestiva por parte do jornal a publicação da letra da música tema do Schlachtfest, criada em 1994. Já Maurício Bayer, na época colaborador do “Evolução”, foi mais longe e recomendou a gravação para uma apresentação no “Rádio Jornal Evolução” na FM 89 de São Bento do Sul/SC.
Foi no ano de 1996 que a gravação ocorreu no estúdio pela “ Unnica Áudio Produções” de Ney Maia, tendo Gerson Zollner no teclado/trompete; Dilmar no trombone/sax e Ivana Lampe com Silvio Cruz no vocal.
A música de boa harmonia e ritmo, caiu no gosto dos ouvintes que solicitavam pela música na FM 89. O Jornalista Ivan Roberto Liebl, membro da diretoria da Sociedade Ginástica, levou a música para a festa. A Banda Böhmerwald tocou pela primeira vez no baile do Schlachtfest seguida pela Banda Badenblu que também subiu no palco mas com arranjo próprio e a Banda Bavária gravou em 2003.
A cultura é assim, surge de forma natural na aprovação popular, tornando um marco, um registro, e neste caso uma referência de uma das festas germânica mais tradicionais de São Bento do Sul, transformando em uma tradição, que se encaixa no perfil de uma festa autêntica que preserva as características germânicas, onde a alegria da música não pode faltar.

TEMA DA SCHLACHTFEST


Setembro chegou, é festa outra vez
São Bento do Sul esperou
Mais um ano se foi
A alegria voltou
A contagiar os salões
Cantando, dançando
Muita música e chopp a rolar
Nessa festa que é minha
Nessa festa que é sua
Vamos todos brincar

Cantando, dançando,
Nessa festa três dias pra valer
Cantando, dançando
A Schlachtfest quem faz é você
Cantando, dançando
Ao som de uma banda a tocar
Pelo salão vou rodando,
No salão vou dançando,
até o dia clarear





São Bento do Sul - Santa Catarina - Brasil

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Símbolo da fauna de São Bento do Sul - SC - Tucano-de-bico-verde


quinta-feira, 21 de julho de 2016

VINHO TRÊS FOLHAS engarrafado em Jaraguá do Sul


VINHO TRÊS FOLHAS engarrafado em Jaraguá do Sul




 

 

 

INFORMAÇÕES DO RÓTULO DA GARRAFA

 

VINHO TINTO DE MESA

TRÊS FOLHAS

INDUSTRIA BRASILEIRA 

CONTEUDO 660ML

PRODUTORES

COOPERATIVA VINÍCOLA SÃO VICTOR LTDA

Rua Dr. Pestana, 65 – Caxias do Sul – R.G do Sul – Brasil

Reg.M.A. nº.............álcool até 12º - C.G.C. 88 617 766/0001 60 – Safra 1975

Engarrafado por: LUIZ KIENEEN S.A. Ind e Com. De Bebidas

Av. Marechal Teodoro da Fonseca, 657/697 – Jaraguá do Sul – S. Catarina C.G.C.M.F. nº84 429 844/0001

 




Recentemente recebi de presente a garrafa de vinho, “Três Folhas” safra de 1975, que estava estocada, esquecida no fundo do armário, mas de valor inestimável pois ressurgiu como um marco de história, afinal a garrafa fechada representa mais valor que aberta, deveria ser peça de museu.

O vinho foi elaborado pela “Cooperativa Vinícola São Victor Ltda” localizada em Caxias do Sul – RS, mas curiosamente foi engarrafada em Jaraguá do Sul - SC pela empresa “Luiz Kiennenn SA. Ind. e Com de Bebidas”. Esta indústria de Jaraguá, foi inaugurada em 1966 e além das bebidas alcóolicas também disponibilizava essências e xaropes. O empreendedor entusiasta Sr. Luiz Kienen faleceu aos 81 anos. Já a distribuidora do vinho a da “Cooperativa Vinicola São Victor Ltda”, apresenta origem embrionária do ano de 1929 pelo descendente de italianos Agostinho Zandomeneghi filho de imigrantes Pietro Zandomeneghi e Regina Brisoto, iniciando as atividades na localidade de São Victor da 5ª Légua. O crescimento da Cooperativas ocorreu em partes pelo método de transporte e neste caso apresentava a ferrovia como principal forma de escoamento de produção, dos vinhos que na verdade não produzia, mas distribuía de seus cooperados. O trem partia de Caxias do Sul, passando por várias cidades, entre elas São Bento do Sul, descendo pela serra de Rio Natal, Corupá e finalmente Jaraguá. Mas outras vinícolas também se utilizavam desta forma de transporte. A Cooperativa no final da década de 1990, teve produções em pelo menos duas fazendas concentradas. Pelo ano de 2000 a vinícola está sufocada pelo crescimento urbano e muda de endereço, já no ano de 2012 a vinícola muda de rumo e se funde com a Cooperativa Nova Aliança que já apresentava outros “ramos de cooperativas” e que no total somaram 900 associados.

 

E agora a garrafa de vinho que recebi? Entendo que seja um produto caseiro, desenvolvido na serra gaúcha, que pela força do cooperativismo rendeu lucros para um agricultor de família tradicional e sustentou empresas e construiu uma história, viajou pela estrada de ferro, chegou em Jaraguá, subiu a serra, e foi comprado, provavelmente no “Mercado Kalhofer” lateral do Museu Municipal de SBS, para virar quentão, mas por alguma razão ficou esquecido no fundo do armário. A qualidade deste vinho? Quanto mais velho, menos fiel em suas características, já está abaixo de sua curva de nível, e sendo feito de uvas americanas não deve mais representar o gosta da uva, única qualidade perceptíveis para este produto, e a tampinha de metal, não deve ter conseguido isolar o oxigênio por muito tempo, e o vinho provavelmente virou vinagre. Fechado o vinho tem seu precioso valor histórico e certamente não vou abrir para conferir minhas teorias organolépticas.

 


 

Agostinho Zandomeneghi (esquerda) Giovanni (direita). Em segundo plano da esquerda para direita, Angelina, Giacomina e Antonina. Foto: Julio Calegari, acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami,

Um registro da cooperativa nos anos 1970, Foto: acervo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami, divulgação


sexta-feira, 15 de julho de 2016

SÃO BENTO DO SUL - SC nas OLIMPÍADAS com a Česká Republika.


SÃO BENTO DO SUL NAS OLIMPÍADAS PELO MUSEU DE RALSKO POR PETR POLAKOVIČ – REPÚBLICA TCHECA

Por iniciativa de PETR POLAKOVIČ da REPÚBLICA TCHECA São Bento do Sul será visto nas olimpíadas, apresentando o município na vitrine da Banda Treml e do Grupo Folclórico Bömerwald, como uma das referências da origem germânica da Boêmia para o Brasil. Vale lembrar que mais de 70% das primeiras famílias de São Bento, até o 5º ano de imigração, são provenientes  da Boêmia que em 1873 pertencia a Áustria-Hungria, e antes  de 1867 foi por séculos da própria Áustria, que atualmente é a República Tcheca (Česká Republika), Bömerwald é uma região que fazia divisa com a Alemanha local de origem de muitos imigrantes, como da família Treml. Deixo abaixo o texto e imagem do folder para apreciação. Também consta a Universidade UNIVILLE (Joinville/São Bento do Sul).


TEXTO DO FOLDER


O Museu dos Compatriotas Emigrantes no BrasIl situa-se na localidade de Náhlov, município de Ralsko, região de Liberec e foi fundado no ano de 2010 com o objetivo de chamar atenção, estudar e desenvolver o tema, muitas vezes esquecido, sobre a história e a contribuição da emigração a partir da região da atual República Tcheca para o Brasil.
Essa onda emigratória ocorreu – mais intensamente – no século XIX, quando a nossa região não formava ainda um país autônomo, mas sim parte do Império Austríaco. Grande parte dos imigrantes deixaram as regiões de Liberec, Ústí nad Labem e de Šumava, ou seja, as regiões de fronteira com a atual Alemanha, tratando-se assim de alemães tchecos – em sua maioria. Os descendentes destes migrantes são chamados no Brasil de boêmios e mantiveram-se unidos, formando comunidades nas cidades de São Bento do Sul, Joinville, Nova Petrópolis, Venáncio Aires, Porto Alegre, Agudo, Paraíso do Sul, Candelária e Cachoeira do Sul. Existem comunidades de tchecos em São Paulo, Piraju, Jaguari, Guarany das Missões, Ijuí, Rolante, Erechim e em outras cidades. Temos uma base de dados com cerca de 7000 nomes de emigrantes, com informações a respeito do navio em que fizeram a viagem até o Brasil e onde se estabeleceram.
De suma importância para o progresso migratório a partir da Europa Central foi à mudança de D. Leopoldina, a arquiduquesa a partir da Europa Central foi à mudança de D. Leopoldina, a arquiduquesa austríaca, para o Rio de Janeiro no ano de 1817, logo após seu casamento com o príncipe-herdeiro D. Pedro. Participaram dessa viagem também os “nossos” naturalistas: Johann Pohl de Česká Kamenice, Johann Christian Mikan de Teplice, Dominik Sochor (local de nascimento desconhecido), Heinrich Wilhelm Schott de Brno a Rochus Schück de Linhartice, na região de Maravská Třebová.
Dominik Sochor faleceu próximo a Vila Bella (MT) no ano de 1826, Rochus Schüch estabeleceu-se no Brasil e os outros acabaram voltando para a Boêmia, ou melhor, para a Áustria. Antes deles já em 1807, Anton Hubert de Nový Bor tinha aberto uma loja de cristal em Salvador (BA) e comprado extensos terrenos no município de Uma (BA). Um sucesso singular foi alcançado pelos irmãos Franz e Josef Scheiner de Horní Libchava. Franz tornou-se, em 1821, um dos principais fundadores da Sociedade Germânica no Rio de Janeiro, no ano de 1828, foi nomeado para o cargo de cônsul da Áustria. Josef Scheiner era o dono de uma grande fazenda na cidade de Cantagalo, próximo à Nova Friburgo.
No ano de 1815 foi fundada no estado de Minas Gerais a cidade de São João Nepomuceno. Em data não conhecida, mas provavelmente antes de 1831, chega à cidade de Serro (MG) Jan Nepomuk Kubíček, carpinteiro oriundo dos arredores de Třebon e bisavô do presidente Juscelino Kubitschek. No ano de 1867 Eduard Krisch de Rýmařov chega à Joinville (SC) e em pouco tempo torna-se diretor da Colônia Hansa. Em 1893 parte para o Brasil uma expedição de Rovensko pod Troskami e arredores com objetivo de fundar um povoado tcheco. Este objetivo não foi alcançado, porém todos foram bem sucedidos: Jan Srna, junto com seus conterrâneos, fundou no ano de 1895 a Associação Tcheca Slavia que funciona em São Paulo até hoje. Jan Hamáček de Mladá Boleslav, o tio-bisavô do presidente do Parlamento da República Tcheca, se estabelece e funda a colônia tcheca em Sabará (MG). František Vladiír Lorenc, esperantista de Zbyslav, perto de Cáslav, o avô do atual cônsul honorário no estado do Rio Grande do Sus, torna-se estimado professor, tradutor e espiritualista. Temos que mencionar que no período de 1906 a 1908 atuou na região de Santa Catarina o famoso viajante e naturalista Alberto Vojtěch Frič como árbitro do conflito entre indígenas e imigrantes europeus e, no congresso americanista em Viena no ano de 1908, propôs o modelo de reservas indígenas que funciona até hoje. Frič, depois da fundação da Tchecoslováquia, atuou no Brasil como o primeiro diplomata.
As nossas terras aproximam-se através dos amos: em 1908 Eliška Dobrzenská de Chotěboř casou-se em Versailles com Pedro Bragança de Petrópolis, RJ, filho da Princesa Isabel e Gastão de Orleans, Conde d’Eu. No ano de 1942 estabeleceu-se no Brasil, forçadamente, o fenomenal empresário Jan Antonín Bat’a, oriundo de Uherské Hradiště, e construiu quatro cidades nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. Foi-lhe de grande ajuda Jindřich Trachta de Žeravice, região Morávia.
É impossível lembrar e mencionar todas aquelas pessoas corajosas, já que eram milhares delas. Uma coisa é certa: no Brasil está crescendo cada vez mais o número de pessoas e famílias que estão descobrindo as suas raízes na República Tcheca. Existem também algumas cidades-irmãs: Jablonec nad Nisau e Nova Petrópolis desde o ano de 2007, Třebon e Diamantina desde 2013 e, por fim, Nepomul e São João Nepomuceno desde 2016. Estes fatos visam favorecer o desenvolvimento das relações culturais e comerciais. O nosso museu quer prestar auxílio a todos os conterrâneos: Queremos ligar as famílias aqui e ali. É prazeroso e, ao mesmo tempo, produtivo deparar-se sempre com novas conexões e vínculos entre os nossos países. 

Petr Polakovic, diretor do Museu, maio de 2016, Ralsko


SITE DO MUSEU NA REPÚBLICA TCHECA REFERÊNCIA DOS  7000 BOÊMIOS QUE VIERAM PARA O BRASIL

FOLDER OLIMPÍADAS 2016 - REPÚBLICA TCHECA - Museu dos Compatriotas Emigrantes Do Brasil da localidade de Náhlov, município de Ralsko


sábado, 9 de julho de 2016

ÍNDIOS DE PAZ E GUERRA

ÍNDIOS DE PAZ E GUERRA em Santa Catarina


Causos do passado e fatos verdadeiros, transcendem nas rodas de amigos, e ultrapassa gerações que guardam na memória as histórias de Basílio Dutka (in memória). Basílio foi morador de uma localidade próxima de Bom Sucesso (que fica após Moema/Itaiópolis), pelo ano de 1912 quando ainda era muito jovem, mas ele morava isolado na vegetação nativa, com pouca área para lavrar e um pequeno espaço para pastagem. 

Neste local a presença dos índios sempre foi constante, e Basílio até aprendeu algumas palavras na língua do Xokleng. Certo dia Basílio foi visitado por alguns índios, curiosos pelo seu almoço, feijão e carne. Basílio ofereceu para eles levarem, mas não tinha uma vasilha, rapidamente um dos índios entrou no mato e com folhas entre postas e entrelaçadas de caeté, providenciou um compartimento semelhante a uma gamela. Após alguns dias os índios voltaram no crepúsculo do amanhecer, entraram na casa e colocaram sobre a mesa um pedaço de carne de porco do mato e de veado, e saíram correndo passando um pedaço de galho nas tábuas da casa, que ao atritar nas emendar fazia o som repetido tec, tec, tec...., fazendo Basílio acordar e receber a surpresa do presente. Esta era uma das brincadeiras que os índios gostavam de fazer, e depois davam gritos curtos e agudos, como expressão de felicidade. Na propriedade do Basílio, no entorno da casa, de tempos em tempos faziam alguma brincadeira, como de prender um novilho na cerca e a vaca em outra, ou tirar o porco do chiqueiro prendendo este no galinheiro, ou ainda de provocar entre os morros o disparo de várias flechas, que voavam assobiando por sobre a casa. 

Mas esta aproximação com os índios ocorria muitas vezes de forma repentina, outro dia Basílio estava atrás de uma caça andando pela floresta, mas de forma inesperada, caiu na armadilha dos índios, que o suspenderam com cipós por entre as copas.

Os índios não deixavam trilhas, e um dia Basílio saiu para caçar e se surpreendeu ao entrar sem querer em um "acampamento" de índio, sendo recebido por uma irara adomesticada pelos índios, porem agressiva aos estranhos.

Mas nunca existiu confronto ou desentendimento do Basílio com os índios, muito pelo contrário, existia uma aproximação festiva e de bom relacionamento. 

Mas Basílio não esquece de uma história que ocorreu no passado, antes mesmo de sua residência na região, história que também foi passada pelo seu neto (“Fritz” Nelson Dutka). As famílias de agricultores de Itaiópolis faziam o “pixirum” no qual todos se ajudavam, trabalhando em conjunto em uma propriedade, passando para a próxima, próxima, e assim todos tinham segurança no momento de plantio ou colheita, com rendimento do trabalho, não existia cobrança pelo serviço, mas o compromisso de ajudar o próximo. Mas num determinado dia os homens saíram para fazer o “pixirum”, e os índios invadiram suas casas perseguindo e matando mulheres e crianças, mas duas mulheres se esconderam em uma árvore e presenciaram tudo. Na volta dos homens foi relatado o ocorrido, e se instalou uma fúria de raiva, ódio e vingança. Os homens se organizaram em um grupo armado e foram na busca dos índios, após muitos dias de procura encontraram a aglomeração de índios. Estes estavam organizados com vigilantes no entorno do “acampamento”, mas estavam todos dormindo, os vigilantes encostados nas árvores, dormindo sentados. Os homens vingativos entraram silenciosamente, cortaram o “cordão” dos arcos, e iniciaram proferindo golpes de fação no pescoço dos vigilantes e assim se estendeu a matança que, segundo relatos, passou de centenas de índios, de tal forma que após alguns dias era possível sentir o cheiro dos cadáveres, mesmo que de muito longe. HOMENS DE PAZ E DE GUERRA.

Foto referente: CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS-CFH  DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA  - CURSO LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA  DO SUL DA MATA ATLÂNTICA - ARTEFATOS ARQUEOLÓGICOS NO TERRITÓRIO LAKLÃNÕ/XOKLENG-SC  - COPACÃM TSCHUCAMBANG . 

Foto referente: CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS-CFH  DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA  - CURSO LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA  DO SUL DA MATA ATLÂNTICA - ARTEFATOS ARQUEOLÓGICOS NO TERRITÓRIO LAKLÃNÕ/XOKLENG-SC  - COPACÃM TSCHUCAMBANG